História do Skate

11 de maio de 2016

Anos 60 um esporte sem nome: Ainda não se sabe exatamente quando apareceu o skate, mas podemos dizer que foi no princípio dos anos 60 na Califórnia. O esporte ainda não tinha nome e era chamado de surfinho. Era uma época onde reinava o surf e a curtição total sobre uma prancha, alguns surfistas pegaram as rodas de seus patins, e colocaram em pranchas de madeiras, para que assim pudessem surfar em terra firme quando não tivesse ondas. Foram comercializados em 1965 os primeiros skates fabricados industrialmente e logo surgiram as primeiras competições.

Brasil: As marcas de skate que apareceram primeiro no Brasil foram Banhe, Cadillac e Hang Tem. Os primeiros skates brasileiros começaram a ser produzidos pela fábrica de brinquedos Paulista que criou o Torlay e pela Bandeirante, que vendia o RK. Os lugares de pratica na época eram as ladeiras da Maria Angélica e do Cedro, no Rio de Janeiro, as descidas do bairro do Sumaré, em São Paulo, e ainda numa infinidade de lugares.

Anos 70 a procura de piscinas vazias: Nesta época, houve um grande racionamento de água nos Estados Unidos, e muitas pessoas tiveram que esvaziar suas piscinas foi aí que os skatistas perceberam que essas piscinas vazias poderiam ser ótimas pistas. A galera ficou conhecida por invadir casas abandonadas ou não de famílias ricas para andar de skate nas piscinas vazias, as redondas eram as mais procuradas, porém havia tantos formatos que as possibilidades eram inúmeras. O skate vertical surgia assim  e aos poucos  toda uma cultura ligada ao esporte foi sendo construída, dos equipamentos às roupas e até a música. O engenheiro químico Frank Nashworthy, em 1974, criou o uretano, material que seria usado para a fabricação das rodas de skate, o que daria um novo impulso ao esporte. A cultura do skate crescia tanto que já nesta época havia revistas especializadas, como a Skateboarder, uma das mais importantes sobre o assunto. Depois de anos de expansão, ocorreu a “morte” do skate, no fim dos anos 70, muitas pistas foram fechadas e muitos jovens abandonaram o esporte, apenas ficando os que realmente gostavam. A Skateboarder choca a maior parte dos skatistas, anunciando mudanças de planos e cobrindo somente assuntos sobre competições de Biker’s. Esses skatistas, que perderam as pistas e revistas, passaram a andar nas ruas, usando as construções urbanas como obstáculos, criando uma nova vertente, o street skate.

Brasil: Os primeiros malucos pelo esporte começam a criar manobras e explorar as ruas. Em abril de 1978, rola o primeiro campeonato com skatistas no Clube Federal, no Rio de Janeiro. Vence na categoria sênior Flávio Badenes, na época as manobras eram 360’s, whellies e handstands. Dominavam a cena do skate nacional Alexandre Calmon, Mario Raposo, Quinzinho, Paulo Soares e Maninho, além do próprio Flávio Badenes. Em Nova Iguaçu, com a primeira pista da América Latina construída, surge um estilo chamado de “bowlriding”, executado dentro dos bowls. No final dos anos 70, o skate enfrenta uma de suas primeiras crises no Brasil, os que praticavam abandonam o skate e os próprios fabricantes começam a deixar de lado o skate para produzir os patins. Os verdadeiros skatistas, no entanto, não desanimam e o freestyle se firma com manobras muito bem desenvolvidas.

Anos 80 inovação e tecnologia: O skate volta com tudo devido às novas tecnologias e a utilização das pistas com formato em U – os half pipes. Retornando às suas origens o skate surge com vários nomes como: Steve Caballero, Tony Alva, Tom Sims, entre outros.  Nesta época aparece um garoto cheio de técnica e estilo com apenas 12 anos, mandava flips muito altos na rampa, Tony Hawk deixava todos de queixo caído. Outro fator importante para o skate da época foi o vídeo dos Bonés Brigade, em que Steve Caballero teve um papel bastante forte. A partir daí, o skate nunca mais decaiu.

Brasil: O skate muda, o shape fica largo, sem nose, rodas grandes e os trucks pesados. Apesar disso, o freestyle rolava forte naqueles tempos e cresce  na cidade de São Bernardo do Campo, na região do ABC. A cidade é presenteada com a pista velha, que está lá até hoje passando por uma imensa reforma. Os skatistas das antigas dão lugar a Sérgio Negão, Osmar Fossa, Ari Jumonji, Paulo Folha entre outros. Em 1982, rola o primeiro campeonato de downhill, surgindo a primeira turma de malucos pela modalidade: Tanabe, Tchap Tchura, Pastel e outros. Em 1983, Márcio Tanabe e Duarte Yura criam o primeiro tênis de skate, o Mad Rats,  nessa mesma época, o street começa a dar as caras, acompanhado do punk-rock. No Campeonato Brasileiro de Guaratinguetá, em 1984, surgem os banks em formato de oito, estreados por Sergio Negão, Oscar Lattuca, George Rotatori. Espalha-se o esporte pelo país em 1985, surgindo a Overall uma revista de skate e  Estados como o Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul ganham pistas e campeonatos que aconteciam com maior freqüência.

Anos 90 o ápice do skate profissional: o skate atinge seu ápice nos anos 90, com muita exposição na mídia, grande número de marcas, revistas, produtos, sites, programas de TV e campeonatos fixos, o skate estabiliza-se. Hoje, grandes skatistas, entre eles brasileiros, faturam alto através de seus patrocinadores, ao vencerem campeonatos,  estrelar comerciais de marcas ligadas ao esporte.

Brasil: O skate enfrenta sua segunda crise, em virtude do “Plano Collor”, que afetou o mercado e os fabricantes. Marcas saem de cena e a Revista Overall acaba. O mercado do skate começa a se reorganizar e em 1991  ocorre a retomada da União Brasileira do Skate. Quase ao mesmo tempo, surge a Associação Brasileira dos Empresários de Skate (Abesk). Nomes como Fábio Cristiano, Mauro Mureta, Marcelo Just, Lincon Ueda, Cris Matheus, e Rodil Ferrugem vão se firmando. A chegada das TV´s a cabo, com canais de esporte o skate volta a cena. Mas não é apenas só o retorno da mídia que está fazendo o skate voltar é também a qualidade do skate atual, em outras décadas não havia tantas técnicas e manobras como hoje. O skate sofre novas modificações, o shape fica mais estreito (normalmente 7.5 cm), as rodas são menores, os trucks bem mais leves, facilitando as manobras de street, e o nose aumenta, para dar mais área para manobras. A moda surge com  as calças largas, que dão mais liberdade aos movimentos, antes o esporte era praticado com bermudas ou calças jeans, que eram desconfortáveis. Nos pés o tênis e na cabeça o boné, claro!!!! Com campeonatos muito mais freqüentes, os nossos skatistas profissionais se consagram internacionalmente, com Bob Burnquist “Birdman”, Rodrigo Menezes “Digo”, Sandro Dias “Mineirinho” e Lincon Ueda “Voador” no vertical, Rodil de Araújo Júnior “Ferrugem” e Carlos de Andrade “Piolho” no street e Sergio Yuppie no downhill. As meninas mostram também sua força como Karen Jones.

A partir de 2000 a nova geração: A popularidade do skate vem dos grandes ídolos do esporte, e da cobertura da imprensa. Nos últimos anos o crescimento do skate trouxe um grande número de patrocinadores, e os campeonatos são cada vez mais disputados.

Em São Bernardo do Campo a primeira pista feita de cimento particular foi inaugurada em 1978 a saudosa Wave Cat. Alguns anos após em 1981 São Bernardo construiu a primeira fase da pista pública, atualmente podemos contar com uma nova versão bem mais moderna apenas conservando a melhor parte do passado que é a pista “Velha” e o “Tri-banks” que sofreram poucas modificações.No local encontra-se o maior parque de esportes radicais do país com 23.000m² de área sendo que 5.000m² é a área onde localiza-se a pista de skate. Existem várias pistas espalhadas pelos bairros de São Bernardo e merecem toda nossa atenção.

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